Antonio Pelarigo - Naufragio (RE)







FADO PEDRO RODRIGUES
Antonio Pelarigo - Naufragio

No meio da claridade Daquele tão triste dia
Grande, grande era a cidade E ninguém me conhecia
Rostos, carros, movimentos Traziam noite e segredo
Só eu me sentia lento E avançava quase a medo

Só a saudade da pátria Longínqua, me acompanhava
Quisera voltar à serra E ouvir o vento e a água brava
Quisera voltar ao bosque Onde sei que sou lembrado
Voltar às leiras de Afife E ouvir a canção tão mansa

Do pastor que guarda o gado  Mas nas ruas sinuosas
Ainda o rumor crescera E eu contemplava assombrado
Minhas mãos ontem com rosas Minhas mãos hoje de cera

Então passaram por mim Uns olhos lindos depois
Julguei sonhar vendo enfim Dois olhos como há só dois
Em todos os meus sentidos Tive presságios de adeus
E os olhos logo perdidos Afastaram-se dos meus

Acordei e a claridade Fez-se maior e mais fria
Grande, grande era a cidade E ninguém me conhecia